Na sociedade contemporânea, o Adversário tem especialização em três áreas: ruído, pressa e multidões. Se ele conseguir nos manter debaixo de um amontoado de coisas, descansará satisfeito.
Se alimentarmos a esperança de ir além das superficialidades de nossa cultura, incluindo nossa cultura religiosa, precisamos estar dispostos a descer ao silêncio recriador, ao mundo interno da contemplação.
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A meditação cristã, numa definição simples, é a capacidade de ouvir a voz de Deus e obedecer à sua Palavra. Simples assim. Gostaria de torná-la mais difícil para os que gostam de complicar; no entanto, ela não envolve nenhum mistério oculto, nenhum mantra secreto, nenhuma ginástica mental, nenhum mergulho esotérico para atingir a consciência cósmica. A verdade é que o grandioso Deus do Universo, o Criador de todas as coisas, deseja ter comunhão conosco.
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Todos os santos, em todas as épocas, deram testemunho dessa realidade. Como é triste que os cristãos contemporâneos demonstrem tanto desconhecimento do mar de literatura sobre meditação cristã, produzida por cristãos fiéis ao longo dos séculos! E o testemunho deles sobre a vida alegre de comunhão perene é de uma uniformidade espantosa.
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Na meditação, desenvolvemo-nos naquilo que Thomas à Kempis chama "amizade familiar com Jesus Cristo", deixando-nos envolver pela luz e pela vida do Senhor e começando a nos sentir confortáveis nessa postura. A presença contínua de Jesus - onipresença, como costumamos dizer - deixa de ser um dogma teológico e passa a ser uma realidade radiante. "Ele anda comigo e conversa comigo" deixa de ser jargão religioso. Em vez disso, transforma-se numa descrição real da vida diária.
Por favor, entenda-me: não estou falando de nenhuma espécie de relacionamento piegas e leviano entre dois "camaradas". Esse sentimentalismo só pode indicar quão pouco conhecemos e distantes estamos do Senhor "alto e exaltado", revelado a nós nas Escrituras. João relata que, quando viu o Cristo reinante, caiu a seus pés como morto (Apocalipse 1:17). Deveríamos fazer o mesmo? Não, na verdade estou falando de uma realidade semelhante à vivenciada pelos discípulos no cenáculo, quando experimentaram uma intimidade intensa aliada a uma reverência sublime.
Na meditação, criamos o espaço emocional e espiritual que permite a Cristo edificar um santuário interno em nosso coração. O maravilhoso versículo "Eis que estou à porta e bato [...]" foi escrito originariamente para os cristãos, não para os descrentes (Apocalipse 3:20). Nós, que entregamos a vida a Cristo, precisamos saber que ele imensamente anseia cear, ter comunhão conosco. Ele deseja uma festa eucarística perene nesse santuário interior. A meditação abre a porta, e, embora estejamos envolvidos em exercícios especifícos de meditação, em momentos específicos, o alvo é trazer essa realidade viva para dentro da vída.
(Extraído do livro "Celebração da Disciplina" de Richard Foster - Editora Vida)

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