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quarta-feira, maio 11, 2011

A Disciplina Da Meditação

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Na sociedade contemporânea, o Adversário tem especialização em três áreas: ruído, pressa e multidões. Se ele conseguir nos manter debaixo de um amontoado de coisas, descansará satisfeito.
Se alimentarmos a esperança de ir além das superficialidades de nossa cultura, incluindo nossa cultura religiosa, precisamos estar dispostos a descer ao silêncio recriador, ao mundo interno da contemplação.
(...)
A meditação cristã, numa definição simples, é a capacidade de ouvir a voz de Deus e obedecer à sua Palavra. Simples assim. Gostaria de torná-la mais difícil para os que gostam de complicar; no entanto, ela não envolve nenhum mistério oculto, nenhum mantra secreto, nenhuma ginástica mental, nenhum mergulho esotérico para atingir a consciência cósmica. A verdade é que o grandioso Deus do Universo, o Criador de todas as coisas, deseja ter comunhão conosco.
(...)
Todos os santos, em todas as épocas, deram testemunho dessa realidade. Como é triste que os cristãos contemporâneos demonstrem tanto desconhecimento do mar de literatura sobre meditação cristã, produzida por cristãos fiéis ao longo dos séculos! E o testemunho deles sobre a vida alegre de comunhão perene é de uma uniformidade espantosa.
(...)
Na meditação, desenvolvemo-nos naquilo que Thomas à Kempis chama "amizade familiar com Jesus Cristo", deixando-nos envolver pela luz e pela vida do Senhor e começando a nos sentir confortáveis nessa postura. A presença contínua de Jesus - onipresença, como costumamos dizer - deixa de ser um dogma teológico e passa a ser uma realidade radiante. "Ele anda comigo e conversa comigo" deixa de ser jargão religioso. Em vez disso, transforma-se numa descrição real da vida diária.
Por favor, entenda-me: não estou falando de nenhuma espécie de relacionamento piegas e leviano entre dois "camaradas". Esse sentimentalismo só pode indicar quão pouco conhecemos e distantes estamos do Senhor "alto e exaltado", revelado a nós nas Escrituras. João relata que, quando viu o Cristo reinante, caiu a seus pés como morto (Apocalipse 1:17). Deveríamos fazer o mesmo? Não, na verdade estou falando de uma realidade semelhante à vivenciada pelos discípulos no cenáculo, quando experimentaram uma intimidade intensa aliada a uma reverência sublime.
Na meditação, criamos o espaço emocional e espiritual que permite a Cristo edificar um santuário interno em nosso coração. O maravilhoso versículo "Eis que estou à porta e bato [...]" foi escrito originariamente para os cristãos, não para os descrentes (Apocalipse 3:20). Nós, que entregamos a vida a Cristo, precisamos saber que ele imensamente anseia cear, ter comunhão conosco. Ele deseja uma festa eucarística perene nesse santuário interior. A meditação abre a porta, e, embora estejamos envolvidos em exercícios especifícos de meditação, em momentos específicos, o alvo é trazer essa realidade viva para dentro da vída.

(Extraído do livro "Celebração da Disciplina" de Richard Foster - Editora Vida)




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sábado, maio 07, 2011

O Caminho Da Morte: Transformando As Disciplinas Em Leis

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As disciplinas espirituais pretendem fazer-nos bem. Elas têm a intenção de trazer a abundância de Deus para nossa vida. No entanto, é possível transformá-las em outro conjunto de leis, que farão a alma definhar. Disciplinas presas a leis exalam o hálito da morte.
(...)
Quando se degeneram e viram lei, as disciplinas acabam sendo usadas como instrumento de manipulação e controle. Valemo-nos de ordens explícitas para aprisionar as pessoas. Tal deteriorização das disciplinas espirituais resulta em orgulho e medo. O orgulho assume as rédeas porque passamos a acreditar que somos o tipo certo de gente. O medo assume as rédeas porque temos pavor de perder o controle. 
Se quisermos progredir em nossa caminhada espiritual, de forma que as disciplinas sejam benção, em vez de maldição, precisamos chegar a um ponto da vida em que tiraremos dos ombros o fardo de precisar sempre, a todo instante, gerenciar o semelhante. Porque esse impulso, mais que qualquer outro fator isolado, pode levar-nos a transformar as disciplinas espirituais em leis. Depois que criamos uma lei, é estabelecida uma "exterioridade", pela qual julgamos quem está atingindo o padrão e quem não está. Livres das leis, as disciplinas caracterizam-se predominantemente como obra interna, algo impossível de controlar. Quando passarmos a acreditar de fato que a transformação interna é ação de Deus, não nossa, seremos capazes de deixar de lado a compulsão para endireitar as pessoas.
(...)
O mundo em que vivemos está faminto de pessoas genuinamente transformadas. Leon Tolstoi observa: "Todo mundo pensa em mudar a humanidade; ninguém pensa em mudar a si mesmo". Estejamos entre os que acreditam que a transformação interior é um objetivo digno de nossos melhores esforços.

(Extraído do livro "Celebração da Disciplina" de Richard Foster - Editora Vida)


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sexta-feira, maio 06, 2011

A Escravidão Aos Hábitos Arraigados

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"Estamos acostumados a pensar no pecado como atos individuais de desobediência a Deus. Isso é verdade até certo ponto, mas as Escrituras vão muito além. Em Romanos, o apóstolo Paulo frequentemente se refere ao pecado como uma condição que aflige a raça humana (por exemplo, Romanos 3:9-18). A condição pecaminosa abre caminho por entre os "membros do corpo", ou seja, os hábitos que se arraigaram à nossa vida (Romanos 7:5-7). E não há escravidão que se compare à escravidão dos hábitos pecaminosos arraigados.
(...)
O método habitual que utilizamos para lidar com o pecado arraigado é lançando um ataque frontal. Confiamos na força de vontade e na determinação que possuímos. Qualquer que seja o nosso problema - raiva, medo, amargura, glutonaria, orgulho, lascívia, vícios - , determinamo-nos a nunca mais cometer o erro novamente. Oramos por isso, lutamos contra isso e aplicamos nossa vontade nisso. A luta, porém, é inteiramente vã, e nos descobrimos outra vez em falência moral ou, pior ainda, tão orgulhosos de nossa justiça externa que "sepulcro caiado" seria uma descrição branda de nossa condição.
(...)
Na carta aos Colossenses, Paulo faz uma lista das formas externas de controle do pecado: "Não manuseie!", "Não prove!", "Não toque!". Então ele acrescenta que essas coisas "têm, na verdade alguma aparência de sabedoria, em devoçao voluntária" (Colossenses 2:20-23, ARC). "Devoção voluntária" - que expressão contundente! E como descreve bem boa parte de nossa vida! No momento em que nos sentirmos capazes de obter sucesso e alcançar a vitória sobre o pecado usando unicamente a força de vontade, estaremos adorando a vontade. Não é irônico Paulo olhar para os esforços mais vigorosos que fazemos na caminhada espiritual e denominá-los "idolatria" ou "devoção voluntária"?

A força de vontade jamais será bem-sucedida na luta contra os hábitos pecaminosos profundamente arraigados.
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A "devoção voluntária" pode produzir uma demonstração exterior de sucesso durante certo tempo, mas nas trincas e rachaduras da vida - mais dia, menos dia - nossa condição íntima será revelada. Jesus descreve essa condição ao referir-se à justiça exterior dos fariseus. "A boca fala do que está cheio o coração. [...] eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado" (Mateus 12: 34-36). Pois bem, por meio da vontade as pessoas conseguem, durante certo tempo, efeitos externos satisfatórios, mas cedo ou tarde chegará aquele momento irrefletido em que a "palavra inútil" escapará, revelando a condição real do coração. Se estivermos cheios de compaixão, isso será revelado; se estivermos cheios de amargura, isso também será revelado.

(Extraído do livro "Celebração da Disciplina" de Richard Foster - Editora Vida)



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quinta-feira, maio 05, 2011

Questões Sobre As Disciplinas Clássicas:

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De acordo com o livro "Celebração da Disciplina" de Richard Foster, as disciplinas se dividem em três tipos: 
  1. Disciplinas interiores;
  2. Disciplinas exteriores e
  3. Disciplinas comunitárias.
Disciplinas Interiores são: meditação, oração, jejum e estudo bíblico.

Disciplinas Exteriores são: simplicidade, solitude, submissão e serviço.

Disciplinas Comunitárias são: confissão, adoração, orientação e celebração.

O exercício das disciplinas supra citadas, assegura Richard Foster, são a "porta de entrada para a liberdade". Tendo em vista que nada se ouve a respeito disso nos círculos cristãos atuais, o que é um perplexidade, considero de absoluta relevância que nós, participantes dessa extensa família cristã global, devamos nos inteirar (ainda que superficialmente) sobre esse assunto de extrema importância para quem deseja viver a vida cristã, realmente. Recomendo a todos que adquiram o livro "Celebração da Disciplina" para um entendimento mais acurado do assunto em questão.

"A superficialidade é a maldição do nosso tempo. A doutrina da satisfação instantânea é o principal problema espiritual. A necessidade desesperada de hoje não é a de um número maior de pessoas inteligentes nem de pessoas talentosas, mas de pessoas com profundidade.
As disciplinas clássicas (no sentido de serem essenciais ao cristianismo vivencial) da vida espiritual convocam-nos a sair da superfície e morar nas profundezas. Elas nos convidam a explorar as cavernas situadas nos domínios do mundo espiritual. Elas instam conosco a sermos a resposta a um mundo vazio. 
Não devemos ser levados a acreditar que as disciplinas são apenas para os gigantes espirituais - e que, por isso, estão fora de nosso alcance - nem que servem somente para os contemplativos, que devotam todo o seu tempo à oração e à meditação. Longe disso! O desejo de Deus é que as disciplinas espirituais sejam praticadas por seres humanos comuns: pessoas que têm emprego, que cuidam de crianças, que lavam pratos e que retiram o lixo. De fato, a prática das disciplinas é melhor quando ocorre em meio aos relacionamentos que mantemos com marido ou mulher, irmãos e irmãs, amigos e vizinhos. 
Também não devemos supor que as disciplinas espirituais sejam um exercício penoso e enfadonho, com o objetivo de exterminar o riso da face da terra. O contentamento é o tom básico de todas as disciplinas, e o propósito delas é libertar o ser humano da escravidão sufocante ao interesse próprio e ao medo. Se o espírito interior for liberto dos pesos excedentes, dificilmente tal exercício será descrito como penoso e enfadonho. Cantar, dançar e até mesmo gritar fazem parte das disciplinas da vida espiritual.
(...)
Uma palavra de cautela faz-se necessária logo de início: conhecer a mecânica não significa que estamos praticando as disciplinas. As disciplinas espirituais são uma realidade interior e espiritual, e a atitude íntima do coração é de longe mais crucial que a mera atitude mecânica para adentrar a realidade da vida espiritual.
No entusiasmo de praticar as disciplinas, pode ser que fracassemos em praticar a disciplina. A vida que agrada a Deus não é a que acumula deveres religiosos. Temos uma única coisa a fazer: experimentar uma vida de relacionamento e de intimidade com Deus, o "Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes" (Tiago 1:17)."

(Trecho extraído do livro "Celebração da Disciplina" de Richard Foster - Editora Vida)

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